Sexta-feira, Novembro 11

The music’s over

"When the music’s over
Turn out the lights
Well the music is your special friend
Dance on fire as it intends
Music is your only friend
Until the end
When the music’s over,
Turn out the lights..."
Jim Morrison - "When The Music’s Over"
A música acabou e as luzes apagaram-se. Para sempre? Sim, desta vez é seguro afirmá-lo. A música acabou. Está na hora de apagar as luzes e fechar a cortina. Sem aplausos ou assobios, apenas o silêncio, porque a música acabou. Resta apenas isso mesmo: o silêncio, e recordar a melodia que teima em não sair do ouvido. À parte disso, apenas o silêncio. E a escuridão. A música acabou e as cortinas fecharam-se. The End...
Caos,
Over and Out.

Sábado, Janeiro 1

Epinefrina (Happy New Year!!!)

Ano novo, vida nova! Ou não...
Ainda não percebi se é inerente à condição humana ou simplesmente característica deste tão nosso portuguesismo, querer sempre que o ano que aí vem seja melhor que o anterior e dizer sempre cobras e lagartos do ano moribundo que enterramos, vivo ainda ou não, pouco interessa, à meia noite do dia 31 de Dezembro.
Só a expressão em si mete-me nervos... Porque é que é obrigatório querer que algo mude só porque agora escrevemos "5" em vez de "4" à frente das duas bolinhas? Não imaginam o quão embaraçoso foi para mim, quando estava sentado à mesa com toda a minha família, num daqueles típicos almoços festivos que ainda apanham o lanche, o jantar e, com boa vontade e pastilhas Rennie, ainda duram até à ceia, ter de confessar, práticamente em tom de "desculpem qualquer coisinha", que o meu ano foi bom e que gostei de viver o 2004, quando estavam todos entretidos a enxovalhar o ano que ainda nem tinha acabado. Começa a já nem se por a questão se têm ou não razão para maldizer o pobre coitado do ano, porque é todos os anos a mesma coisa, quase um ritual, mesmo que tivessm ganho o EuroMilhões em mês de jackpot. Na minha família é sempre assim. Acho que não é a única.
Este post não é, de todo, uma daquelas orações ao Nosso Senhor, a agradecer a sua gentileza ao permitir que nós, seres insignificantes e não dignos da sua graça (mas qual graça? a bíblia não tem piada nenhuma!!!) possamos ter tido uns momentinhos de felicidade enquanto outros andam a levar com tsunamis. Este post é, antes de mais nada, uma tentativa de reanimar um blog em desfibrilhação onde já se começava a ouvir o apito da flatline, mas também de gritar bem alto qualquer coisa como "if it ain't broke, don't fix it". Se já se é feliz, é duma enorme estupidez não gozar a felicidade porque estamos muito ocupados a tentar ser "ainda mais felizes", mesmo que às vezes isso não seja possível. Digo eu, que sou barbeiro...
CaosOverride
P.S. - Será que a felicidade não é o caminho que percorremos até ao momento preciso em que pregamos uma chapada na testa a nós próprios e nos apercebemos que estamos realmente a ser felizes naquele momento, e a partir daí é sempre a descer? A felicidade é uma linha recta com princípio meio e fim ou é uma curva de Gauss? E será que a descida não é mais rápida quanto mais força fazemos para tentarmos chegar ao ponto mais alto, onde o X e o Y marcam "feliz"?... Bom 2005 para todos.

Sábado, Dezembro 4

The sound of silence version 2005

"Somos memórias de lobos, que rasgam a pele
Lobos que foram homens, e o tornarão a ser...
Ou talvez memórias de homens, que insistem em não rasgar a pele.
Homens que procuram ser lobos,
mas que jamais o tornarão a ser..."
Fernando Ribeiro
À falta de inspiração, o plágio é sempre a melhor opção. Aliás, como alguém disse um dia: "Devemos sempre pôr citações nos trabalhos da escola. Não há nada que queiramos dizer que alguém não tenha já dito duma maneira melhor". "Never sigh for a better world, it's already composed, played and told." "At a loss for words"... quando assim é, é melhor deixar o silêncio falar por ele próprio, e por nós também, já que ele pode dizer tanta coisa. É só uma questão de sabermos escutar...
Mas a maior parte das vezes não queremos ouvi-lo, porque sabemos que o silêncio fala com a nossa boca e conhece todos os nossos pensamentos e argumentos. Não há como vencê-lo, mas também não porque vencê-lo. O silêncio somos nós e nós torna-mo-nos o silêncio. Se nos permitirmos a tal... Às vezes é demasiado penoso, ou simplesmente incómodo, para alguns.
Por isso gritamos. Ou falamos. "If you don't have anything good to say, say it often!". Ou escrevemos.
Arrisquem. Deixem o silêncio sussurar-vos os vossos pensamentos/sentimentos ao ouvido. "Listen to that, Mr Anderson. It's the sound of inevitability". Cedam.
CaosOverride
P.S. - Parece que o poema foi apenas um ponto de partida para um texto que não tem nada a ver com ele. Enfim, são coisas. Mas não faz mal, já há algum tempo que andava para o partilhar convosco. É o meu favorito. Enjoy...
P.P.S. - Andava por aqui a ler os meus posts antigos e achei por bem deixar a letra da canção que deu título a este. Aqui fica.
Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence
In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turn my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence
And in the naked light I sawT
en thousand people maybe more
People talking without speaking
People hearing without listening
People writing songs that voices never shared
No one dared
Disturb the sound of silence
"Fools," said I, "you do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach you"
But my words like silent raindrops fell
And echoed in the wells of silence
And the people bowed and prayed
To the neon god they made
And the sign flashed out its warning
In the words that it was forming
And the sign said "The words of the prophets are written on the subwaywalls
And tenement halls
And whispered in the sound of silence"
Paul Simon

Domingo, Novembro 14

Ain't Life Grand...

Se alguém me tivesse dito "esta vai ser a melhor semana da tua vida desde que te lembras de existir", de certeza que não acreditava. Rir-me-ia na cara dessa pessoa, mesmo. Mas, afinal, parece que é mesmo verdade, e não só um programa de televisão para reformados: Há horas felizes...
Domingo: Dia 7, o meu novo número da sorte. O horóscopo dizia que Vénus ia sorrir aos Touros e que era um bom dia para começar uma relação. Acreditei. Arriscei/(Con)Cedi/Rendi-me/Entreguei-me, escolher o melhor. Perguntei. Aceitaram-me.
Segunda: A resposta em forma de sorriso à pergunta de todos: "'Tão a andar???" .Trabalho, trabalho, trabalho, riso, riso, riso, riso, riso, riso.
Terça: Semiologia às 8 da manhã já não me parece uma ideia tão má, sobretudo se a aula for pasada no bar com quem se gosta. Nunca tinha gostado tanto dum filme do Will Smith... Concerto/espectáculo brutal de Rammstein no Pavilhão Atlântico! Único senão, perdi a minha pulseira no mosh...
Quarta: Dia inteiro na ESCS, noite no Parque das Nações. Copos, festa, gargalhadas, amigos e aquela pessoa especial. Não preciso dizer muito mais.
Quinta: Stress, muito stress até à última da hora. Contas em falta, acetatos que teimavam em não imprimir, caos! Eis senão quando, no ensaio da tuna, o Penugem em pessoa me convida a tentar aprender a sua arte!
Sexta: É bom ver que, de vez em quando, o nosso esforço é recompensado. A apresentação, em formato de crítica, do trabalho de MEO correu às mil maravilhas. Um pedaço de tarde a matar as saudades do fim-de-semana em avanço. O céu em forma de beijo... Dia de matar, também saudades do ginásio e das dores agradáveis nos musculos após o duche.
Sábado: Passado em família. Sessão nocturna de cinema, O Exorcista - O Começo. Uma noite que prometia ser agitada, conseguisse eu pensar noutra coisa que não em nós...
Nem imaginam a dificuldade com que estou a ser escrever a conclusão deste post. Não quero que esta semana acabe nunca!!! Adoro-te Rute***
CaosOverride
P.S. - Se por acaso lerem este post e vos der vontade de vomitar de tão lamechas que está, têm autorização para me baterem quando me virem. Eu não me importo :)

Sábado, Outubro 30

"Sou como o homem que trancou todas as portas dentro de si, e ficou fechado do lado de fora"

"Se não resolves as tuas cenas depressa, ainda vais acabar sozinho...". É bem possível. Mas não acho que estar sozinho seja tão mau como me queres fazer parecer. "Mais vale só que mal acompanhado" pode soar a cliché ou ao título duma comédia natalícia que costuma dar na SIC, por alturas da comemoração do aniversário do JC, mas é bem verdade. Daquelas verdades que não gostas ou tens medo de admitir. Ou então nunca tiveste, sequer, coragem de experimentar a solidão para perceber porque é que este provérbio perdurou até aos nossos dias...
Preferes estar acompanhada. Daqueles que gostas, daqueles que não suportas, não importa, o que conta é estar com alguém, é não estar só. Não ser aquela miúda que passa os intervalos e os furos entre as aulas sozinha, no bar cheio de fumo, à espera que a torrada fique pronta, enquanto mexe, vagarosamente e com um olhar parado, o café, e que já seja altura de voltar para a sala. Mais valem amizades e namoros vazios e uma vida social preenchida do que estar sozinho. Isso é que não!
Aquilo que não sabes, ou que não gostas de admitir, ou então nunca tiveste, sequer, coragem de ver, é que essa rapariga é mais feliz do que tu. "When you have noone, noone can hurt you". Talvez nunca te tenha ocorrido que aquele olhar parado não é, necessariamente, de tristeza mas sim a imaginação a funcionar. Imaginação essa que te constrói um mundo só teu, daquilo de que os sonhos são feitos, se a deixares. Imaginação essa que controlas muito melhor sozinha do que estando rodeada daqueles que te dizem apenas aquilo que queres ouvir, e te dão asas para voar apenas para que possas cair. Sabes como é que a língua inglesa chama a quem (te) traduz as coisas da maneira mais fácil e conveniente? "False friends"!... E o que ainda não sabes, ou que tens medo de admitir, ou então nunca tiveste, sequer, coragem de descobrir, é que aquela rapariga não passa os intervalos sozinha. Passa-os com ela própria...
Não me interpretes mal, gosto muito dos meus amigos e adorava encontrar alguém com partilhar os pequenos nadas que são (o) tudo. Mas também gosto, muito, de estar comigo. E, neste momento, é assim que me vou deixar estar. És bem capaz de ter razão quando me dizes que posso muito bem acabar sozinho. Mas também posso acabar muito bem, sozinho.
CaosOverride
P.S. - Quando vos trancam todas as portas e vos deixam do lado de fora, podem sempre entrar pela janela...

Estou de volta! E mais terrível do que nunca!!!

Se eu fosse o Luís, seria isto que diria depois duma ausência de cerca de um mês. Mas não sou. Sou o Caos. Por isso, "um grande bem haja para todos vós". Não sei porque estive tanto tempo sem postar nada. Também já cheguei à conclusão de que não vale a pena tentar explicar, a avaliar pela quantidade de vezes que já rescrevi este parágrafo. Estou de volta e isso é o que interessa. Ponto.
Obrigado a todos os que demonstraram interesse em que eu continuasse a postar. Acho que se não o tivessem feito não estaria a reanimar este blog. Vi, Çô, Pincel, Pakalolo, Titana, não necessariamente por esta ordem, e a todos os/as outros/as que lêem este blog, mil obrigados por insistirem. Este post, de certa forma, é dedicado a vocês. E a mim também... Sabe bem partir, mas sabe ainda melhor voltar. É bom estar de volta... :)
CaosOverride

Terça-feira, Setembro 28

Mente insana em corpo ensonço (Filosofia de ginásio)

- Devias inclinar o corpo mais para a frente a fazer o exercício e flectir os joelhos. 'Tás a ajudar demasiado com as costas e qualquer dia ainda lixas a coluna.
- Há tantas coisas que eu devia fazer e não faço... Devia aquecer melhor, fazer bicicleta ou remo durante dez minutos antes do treino. Devia treinar perna para conseguir definir o abdominal inferior.
Devia deitar-me mais cedo. Levantar-me mais cedo. Acordar de mais bom humor e ser mais simpático e menos brusco com os meus pais, de manhã. Devia fazer a barba todos os dias. Devia deixar de por as pernas no assento da frente no comboio. Devia chegar à ESCS com mais ânimo, com mais energia. Passar mais tempo nas aulas e menos no bar do -1. Passar mais apontamentos, em vez de chular as minhas madrinhas e qualquer veterana de PM. Devia parar de roubar sobremesas no refeitório. Não devia atirar comida ou dizer coisas estúpidas que tirem o apetite aos outros. Devia ser mais afável com os meus amigos e martirizar menos a Çô e a Nadine. Devia sorrir mais e não me importar com a cara de parvo com que fico quando me rio. Ser mais optimista e confiar mais em mim. Devia vestir menos vezes de preto. Devia beber menos e mais vezes. Devia vestir mais vezes de preto. Não me devia conhecer tão bem como conheço. Devia chegar a casa mais bem disposto e ser mais simpático e menos brusco com os meus pais, à tarde. Devia falar mais sobre mim ao jantar e ser mais simpático e menos brusco com os meus pais, à noite. Devia-me deitar mais cedo hoje e levantar-me mais cedo amanhã... Há tantas coisas que eu devia fazer e não faço...
- Onde é que queres chegar?...
- ... Dá-me aqui uma mãozinha 'pa ver se eu não esforço tanto as costas, então.
CaosOverride